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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Querida companhia aérea,

Fiquei presa no congestionamento das 16h às 19h. Chovia sobre o Rio de Janeiro como nunca deveria. Pelo menos, não sobre o Rio de Janeiro. A Niemeyer não é bonita com chuva. Pelo menos, não da janela de um táxi.

Fiquei presa no aeroporto das 19h às 2h. Das 20h às 22h, passei meu tempo apreciando o engarrafamento entre dois aeroportos. Tem alguma coisa muito calmante na visão da Baía de Guanabara. Ainda descubro o que é.

Por volta de meia-noite, esbarro em um cliente. Figurão de uma grande empresa. Levanto os olhos do Jonathan Miles e concordo com o Bennie Ford: “Deus nos faz, Deus nos junta”. E tem um belo de um senso de humor.

O figurão espera um vôo para Belo Horizonte. Sempre desconfiei que ele era mineiro. Ele vai de Tam. Eu vou de Webjet. Bem, talvez Deus não junte tanto assim.

Mas, realmente, Ele tem senso de humor. Ah, se tem. Passageiros da Tam vão para o portão 24. Passageiros da Tam vão para o portão 28. Passageiros da Tam urram. Passageiros da Tam finalmente embarcam no portão 26. E aplaudem. E eu me lembro como podem ser divertidas as hordas em fúria.

O Rio de Janeiro é um lugar onde nem funcionário de companhia aérea consegue manter a cara de paisagem. O moço da Tam e um passageiro disputavam quem gritava mais alto. Outros três passageiros filmavam com o celular. Ah, os indignados da Globo... pena que a equipe não pode entrar na sala de embarque...

Sempre disse que, quando saía de férias, a viagem já começava no aeroporto. Achava ótimo o fluxo contínuo, turistas empolgados com a perspectiva da viagem, salas de embarque, free shops, livrarias, corredores. Hoje, sinto dizer, aeroportos perderam grande parte de seu encanto. Nada resiste à milésima visita à livraria com preços superfaturados, ao café de R$5, ao ar-condicionado para pingüim e, principalmente, à visão dos turistas empolgados com a perspectiva da viagem. Como me irritam os turistas!

Mas pior que o chá de cadeira de madrugada –que até reserva esses momentos de pura diversão - são as segundas-feiras de manhã. Nos conhecemos já, quase todos. Já nos vimos muitas vezes, em muitas outras segundas-feiras como esta. Conhecemos alguns pelas mochilas da Vale e Petrobras, outros pelos ternos. Todos pelo sono. Somos nós os que acordamos às 4h e corremos para não perder o vôo das 6h. Somos nós que fazemos de tudo para aproveitar um pouco mais, em casa, a noite de domingo. Mas somos nós também que chegamos à conclusão de que o domingo acaba bem antes de começar o Fantástico. E depois disso, é tudo uma segunda-feira prolongada. “Um bando de semipunidos, todos nós: aprisionados sem uma pausa, desesperados por ascender.”

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Transitivos


Quase passam sem que eu perceba dias, muitos já. Quem se perde, se acha, vai? Onde até?

Tardes de sol mais sentido fazem com. Casa se enche de. Livros e discos se compartilham com. Pensar, se pensa em. Transitivos verbos são. Mesmo os que, intransigentes, intransitivos querem ser. Viver, pois. Pois é.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Para que em mim não emudeças


Espírito de Minas, me visita,
e sobre a confusão desta cidade
onde voz e buzina se confundem,
lança teu claro raio ordenador.

Conserva em mim ao menos a metade
do que fui na nascença e a vida esgarça:
não quero ser um móvel num imóvel,
quero firme e discreto o meu amor,
meu gesto seja sempre natural,
mesmo brusco ou pesado, e só me punja
a saudade da pátria imaginária.

Essa mesma, não muito. Balançando
entre o real e o irreal, quero viver
como é de tua essência e nos segredas,
capaz de dedicar-me em corpo e alma,
sem apego servil ainda o mais brando.

Por vezes, emudeces. Não te sinto
a soprar da azulada serrania
onde galopam sombras e memórias
de gente que, de humilde, era orgulhosa
e fazia da crosta mineral
um solo humano em seu despojamento.

Outras vezes te invocam, mas negando-te,
como se colhe e se espezinha a rosa.
Os que zombam de ti não te conhecem
na força com que, esquivo, te retrais
e mais límpido quedas, como ausente,
quanto mais te penetra a realidade.

Desprendido de imagens que se rompem
a um capricho dos deuses, tu regressas
ao que, fora do tempo, é tempo infindo,
no secreto semblante da verdade.

Espírito mineiro, circunspecto
talvez, mas encerrando uma partícula
de fogo embriagador, que lavra súbito,
e, se cabe, a ser doido nos inclinas:
não me fujas no Rio de Janeiro,
como a nuvem se afasta e a ave se alonga,
mas abre um portulano ante meus olhos
que a teu profundo mar conduza, Minas,
Minas além do som, Minas Gerais.

Oração do Mineiro no Rio de Janeiro - Carlos Drummond de Andrade

Foto: Casarão Santo Antônio - Esmeraldas (MG)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Do início

Rio de Janeiro. Rio de Mineiro. Ou de mineira... Rio que tá aqui na esquina, Rio que me escorre pela mão. Rio que agora é meu, mas ainda não. Quero rir neste Rio, rir deste Rio, que ainda ri de mim. Do sotaque, de jóias e trens que escapam, de palavras partidas ao meio e de Ss pouco pronunciados.

Rio de Mineiro para ganhar o Rio. Para fazer dar certo. Para abrir caminhos, para dobrar esquinas, para falar plurais e palavras inteiras. Rio para viver o sol, para viver amor, paixões, saudade. Rio para viver a vida. E começar.